A cura para o mau hálito

Lembra daquele amigo que enquanto conversava com você transmitia um mau hálito terrível? Nossa! E aquele namorado que você dispensou, porque não tinha coragem de ser franca com o sujeito e dizer a ele que estava com um bafo de onça? E você? Está livre desse mal que atormenta 40% da população mundial. Sim, são bilhões de pessoas que não têm coragem de dizer aos amigos ou namorados sobre um assunto tão íntimo. Mas, se é um assunto íntimo porque todo mundo sabe que aquele cara tem mau hálito, menos ele. Ou, se ele sabe porque não faz nada?

Não adianta tomar medidas paliativas para o caso, como a adoção das balas ou gomas de mascar, desodorantes ou anti-sépticos. O uso desses produtos podem ocasionar o aumento de cáries ou algum tipo de lesão para o organismo. Pessoas com bolsas periodontais não devem utilizar gomas de mascar devido ao risco teórico de introduzir, sob pressão, microorganismos dentro dela. Os desodorantes e anti-sépticos são importantes mas não devem conter álcool na formulação ou óleos aromáticos, porque são irritantes para os tecidos bucais e aumentam a descamação fisiológica piorando as condições do hálito.

Sal de cozinha, cebola, pedaços de algas marinhas, cravo, canela, fumo, também são algumas medidas caseiras utilizadas por milhares de pessoas, mas, além de não trazerem nenhum benefício costumam desidratar e agredir a mucosa, além de provocar manchas extrínsecas nos dentes.

“O hálito desagradável ao acordar ocorre em todas as pessoas em maior ou menor grau, considerada fisiológica. No entanto, o odor deve desaparecer após o café da manhã e a escovação dos dentes”, explica o cirurgião dentista Flávio Alves Miceli.

Formando em 1974, pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), Miceli se especializou no tratamento de Halitose. “O tratamento é simples e a pessoa ameniza o problema logo na primeira seção”, explica.

Fatores que geram a halitose

Os fatores que ocasionam a halitose são diversos como o gerado pela fome e regime, desidratação, stress psicológico, por língua saburrosa, por peças protéticas porosas, higiene bucal deficiente, doença periodontal, cárie, estomatite, amigdalite, sinusite, faringite, tabagismo, alterações estomacais, renais, intestinais, hepáticas ou pulmonares, por doenças raras, além de outros que podem ser diagnosticados pelo especialista no consultório.

Muitos acreditam no mito de que o mau hálito sempre está associado a problemas estomacais. Segundo Micelli isso não corresponde com a realidade. “A halitose neste caso deriva de problemas mais sérios como o de câncer no estômago e esôfago”. As duas incidências mais freqüentes, notada por ele nos 300 pacientes que trataram da halitose em seu consultório, são a xerostomia e o jejum. “A xerostomia é derivada de problemas de stress e da utilização de medicamentos xerostômicos, como os anti-depressivos”, explica e concluí: “A outra é ocasionada pelo jejum. Muitas pessoas ficam mais de 4 horas sem se alimentar, então há o acumulo de bactérias sobre a burra da língua, provocando a halitose”.

Após detectar o problema do paciente, Micelli orienta o melhor tratamento para a eliminação da halitose, que varia de caso para caso. “Há 3 anos trato pacientes com este tipo de problema e a cura ocorreu em todas essas pessoas”, finaliza.

O tratamento

Primeiro é necessário detectar o problema. O paciente responde a um protocolo sobre sua saúde e hábitos, elaborado pela professora e pesquisadora Olinda Tárzia, do Departamento da Bioquímica da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universide de São Paulo – USP.

Com a ajuda do aparelho Halimeter é realizado a halimetria, para medir o hálito. O paciente segura a respiração e coloca um canudo na narina esquerda e em seguida, na direita. Utilizando outro canudo, enquanto o paciente segura a respiração, o canudo é colocado na parte posterior da língua, sem tocar na superfície. Outra leitura é realizada quando o paciente é instruído para franzir os lábios sem tocar o canudinho localizado a cerca de 3 centímetros da boca. Por fim, a pessoa exala o ar forte dos pulmões no canudo. “O aparelho mede o dióxido de enxofre que a pessoa tem. Se for abaixo de 80 partes por bilhão de dióxido (pbd), significa que a pessoa não tem halitose”, diz Miceli e explica: “A presença desses gases na boca ocasionam o mau hálito”.

Em seguida, o paciente mastiga durante 5 minutos o hiperbolóide, cuspindo em um vidro a saliva produzida. “O hiperbolóide detecta se a pessoa tem xerostomia, ou seja, a ausência de saliva”, fala Miceli.

Miceli também mede a presença de bactérias anairóbicas, através do teste de Bana. “Essas bactérias estão associadas a doenças periodontais de adultos”, diz.

“O paciente é orientado para uma boa alimentação e higienização bucal com a utilização correta do fio dental, escovação, limpador lingual e finalmente o enxague bucal. Se as causas forem de outras naturezas encaminho o paciente para um especialista da área. A certeza é a de que em 3 sessões o paciente pode se considerar curado”, garante Miceli.

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